Desmama lado-a-lado: por que adotar?

Desmama lado-a-lado: por que adotar?

Entre 7 e 8 meses de idade o bezerro já começa a ser desmamado. É nessa fase que o animal passa a ser considerado ruminante e têm condições de se alimentar com alimentos sólidos e volumosos.

O período de desmama, entretanto, é considerado como um período crítico na vida do bezerro, pois a separação dele da vaca pode ocasionar estresse em ambos animais. Além de o estresse ser um fator que pode facilitar a infecções oportunistas, os animais mais inquietos passam muito tempo em busca da mãe e acabam não pastejando suficientemente nos primeiros dias da desmama.

O método de desmama lado-a-lado surgiu como alternativa ao método tradicional, pois consiste em um manejo em que as vacas e bezerros são apartados, mas são mantidos em piquetes próximos, geralmente com um corredor de distância entre eles. Dessa maneira, os bezerros permanecem tendo contato visual com suas mães, e o estresse da separação é reduzido.


Por que adotar a desmama lado-a-lado?

Além de ser um método mais adequado, do ponto de vista do bem-estar animal, a desmama lado-a-lado também é mais eficiente no ganho produtivo. De acordo com pesquisadores da Universidade da California-Davis, bezerros desmamados neste sistema ganharam até 30% a mais de peso que bezerros desmamados no método tradicional, com apartação de bezerros e vacas em ambientes separados.

De acordo com a EMBRAPA, bezerros desmamados nesse sistema passam menos tempo vocalizando e mais tempo pastejando, ruminando ou brincando com outros animais. Dessa maneira, observa-se um maior consumo de volumoso do que bezerros no desmame tradicional, que frequentemente são afetados pelo estresse.


Como realizar a desmama lado-a-lado?

Para realizar esse tipo de desmama, primeiro é necessário escolher os piquetes onde será realizado o procedimento. Eles devem ser de pastagens de fácil acesso, com boa disponibilidade de capim para os animais, e preferencialmente devem ser em terrenos planos. Os piquetes também devem ter bebedouros com disponibilidade de água.

As cercas dos piquetes devem estar em boas condições, para evitar fuga dos bezerros, e o bebedouro deve ser posicionado entre os piquetes, para que os bezerros não fiquem sem beber água. Antes de separar os lotes de matrizes e crias, o manejo sanitário do lote deve ser feito.

A partir de então, vacas e bezerros podem ser conduzidos para os piquetes separados pela distância de um corredor, onde devem permanecer por três dias. Os vaqueiros devem sempre entrar no piquete dos bezerros e permanecer nele por entre 10 a 15 minutos durante esse período.

Após o terceiro dia, as vacas podem ser conduzidas para um outro local, e os bezerros também podem ser encaminhados para outros pastos, de preferência com o auxílio de vacas madrinhas.

Esse método é um método acessível inclusive para pequenos produtores, que podem adotar o manejo em seus sistemas produtivos, melhorando o bem-estar animal do rebanho.

Os pilares de um excelente rendimento de carcaça

Os pilares de um excelente rendimento de carcaça

Existem diversas polêmicas envolvendo o rendimento de carcaça, uma vez que o assunto geralmente é tema de debate entre pecuaristas e frigorífico.

De acordo com o Decreto 9.013 de 2017 (RIISPOA), a carcaça é composta pelo bovino abatido, sem cabeça, cauda, mocotós e couro. O rendimento de carcaça, então, é definido como a relação entre o peso da carcaça e o peso vivo do bovino abatido.

O excelente desempenho de rendimento de carcaça na balança do frigorífico envolve diversos aspectos dentro da porteira, como a nutrição adequada do gado, boa sanidade e a seleção de uma genética de elite. Muitas vezes os pecuaristas podem ter dificuldade de alinhar os três pilares, e por esse motivo o desempenho do rendimento de carcaça do rebanho não é o melhor possível.

Veja logo abaixo como os fatores citados podem interferir num excelente rendimentos de carcaça:

1 - Nutrição Adequada:

O manejo nutricional do rebanho é o que vai possibilitar o ganho de peso do gado. Por mais que pareça óbvio, uma dieta balanceada e que atende às necessidades nutricionais do rebanho deve ser alinhada com o tipo de produção para a qual está se destinando o gado.

A dieta para o gado que será destinado a produção de carne tipo commodity, por exemplo, necessita de um menor aporte calórico e energético do que a dieta do gado especializado para produção de carne com marmoreio. Sendo assim, o pecuarista deve estabelecer o objetivo da produção de carne para conseguir projetar o rendimento de carcaça esperado no frigorífico.

Além disso, o balanceamento adequado entre a proporção de volumoso e concentrado é ideal para evitar problemas metabólicos no gado confinado no período de terminação, que causam prejuízos econômicos aos pecuaristas e influenciam no ganho de peso diário do rebanho.

2 - Boa sanidade:

Os bovinos estão sujeitos a adquirir doenças infectoparasitárias durante todo o seu ciclo produtivo. Algumas doenças que acometem os bezerros, como as onfalopatias causadas pela cura inadequada do umbigo, podem causar perda dos animais ainda na etapa de cria, ou podem ainda repercutir num baixo nível de ganho de peso diário. Um baixo nível de GPD vai influenciar num menor rendimento de carcaça no frigorífico após o abate desse animal.

Outras doenças podem influenciar nas taxas de GPD, e por esse motivo é ideal estabelecer um calendário sanitário para os rebanhos, que deve incluir o plano de vacinação do gado e também o plano de aplicação de antiparasitários e produtos carrapaticidas. Mas, é importante sempre se atentar ao período de carência desses medicamentos e respeitar os prazos de aplicação dos mesmos, evitando qualquer tipo de problema com o frigorífico.

Além disso, a aplicação de vacinas e outros medicamentos deve ser sempre feita com agulhas novas e íntegras, e o gado deve ser contido de maneira adequada nos bretes no momento do manejo de vacinação. Isso vai prevenir a ocorrência de abscessos vacinais que, além de comprometer o rendimento de carcaças por conta da remoção de porções de carne contaminadas, podem gerar embargos e proibições na exportação da carne.

3 - Genética de elite:

Na formação de um rebanho comercial, a escolha de um reprodutor de elite é fundamental para atingir os índices desejados na balança do frigorífico. O reprodutor deve ser capaz de imprimir um ótimo acabamento de carcaça na progênie, além de ser capaz de gerar filhos precoces, que vão ganhar peso mais rapidamente.

O potencial genético para produção de carne do rebanho deve ser explorado através do manejo nutricional e, através da genética, também é possível selecionar animais mais resistentes a determinadas afecções, como animais resistentes à ectoparasitas e resistentes a problemas no casco, que podem impactar no seu desempenho produtivo.

Ijhadu da AT é um exemplo de reprodutor da Água Tirada que imprime ótimo acabamento de carcaça e possui filhos em centrais com marmoreio superior, possuindo aptidão genética para ganho de peso, musculosidade e produção de carne.


Os três fatores relatados influenciam diretamente o rendimento de carcaça no frigorífico, e devem ser sempre os pilares preconizados pelos pecuaristas na formação e no manejo dos rebanhos.

Características raciais que indicam eficiência produtiva

Características raciais que indicam eficiência produtiva

No momento da formação de rebanhos, os pecuaristas costumam selecionar os reprodutores de acordo com as características reprodutivas, como precocidade sexual, intervalo entre partos e habilidade materna, já que estas características muitas vezes são sinônimo de animais mais pesados no final do ciclo. Entretanto, além das características reprodutivas, algumas características zootecnicas da raça Nelore também são indicativas de eficiência produtiva e saúde do gado.

4ª Convenção Água Tirada

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A 4ª edição da Convenção Água Tira pôde, mais uma vez, reunir e celebrar os colaboradores do Grupo, transmitindo a história e a visão de uma empresa referência na Pecuária para aqueles que seguem na missão de produzir alimentos para o Brasil e para o mundo.

Pecuária no Pantanal: o Modelo de Produção Ideal

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O Pantanal possui diversos tipos de gramíneas (pastos) naturais e fertilidade das regiões alagadas todos os anos. Por esse motivo, o Pantanal atraiu a pecuária, que é praticada de forma extensiva na região desde o século XVIII. Além de contribuir com a sustentabilidade, o modelo de pecuária do Pantanal também contribui com a permanência do homem no campo, tendo importância social, além da econômica para a região.

A Importância da Conservação dos Solos

A Importância da Conservação dos Solos

Ao longo do tempo, a atividade agrícola vem se desenvolvendo cada vez mais. Isso ocorre porque à medida que a população mundial aumenta, a demanda por alimentos também aumenta de forma proporcional, e faz-se necessário desenvolver a agricultura para suprir a procura demandante por comida. Mas, antes de cultivar qualquer tipo de alimento, é necessário um solo bem conservado e fértil, capaz de proporcionar a germinação das sementes plantadas, independente de qual seja. Conservar os solos faz parte de um plano de futuro sustentável, onde haverá alimentos para todos. O uso seguro e conservacionista dos recursos da terra garante que haverá disponibilidade desses recursos para as próximas gerações.

 

Boas Práticas e Bem-Estar Animal no Manejo de Bezerros

Boas Práticas e Bem-Estar Animal no Manejo de Bezerros

A criação de bezerros requer uma série de cuidados e atenção redobrada aos detalhes do manejo que podem interferir significativamente nos resultados da produção final. Por esse motivo a adoção de boas práticas e bem-estar animal no manejo de bezerros é fundamental para garantir uma produtividade excelente na etapa final da criação dos bovinos.